Foram precisos 820 dias para entenderes que te precipitaste, que te equivocaste, que eu não era a vilã da nossa história e que, afinal, o mundo não gira à tua volta.
Orgulho. Esse assassino de relações, de amizades, de almas. Quantas vezes tentaste lutar contra ele? Decerto nenhuma por, possivelmente, não me achares de sobeja importância na tua vida. Conheço-te bem, se calhar melhor que tu. E sei que nestas 19 680 horas, algumas delas (poucas demais) foram passadas em brainstorming, a relembrar, a reviver e a recordar tudo akilo que juntas contruímos. Castelo esse que se foi auto-destruindo, pedra por pedra, dia após dia..
Engolires esse Orgulho e perguntares se me podias cumprimentar foi um gesto impensável da tua parte. Imagino que tenha sido o teu instinto que te fez agir assim e, muito provavelmente, agora arrependeste-te de teres descido do altar em que te sentias.
Hoje ao ouvir a tua voz e ao ver os teus olhos brilharem de lágrimas sustidas, fiz um rewind automático e senti que do muro que nos separava, tinhas derrubado a primeira pedra. A mais difícil.
Mas chega de remexer em X-Files, é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e a vontade de dar de nós nas outras etapas que precisamos viver.
Aprendi que tudo é relativo. Não há verdades absolutas, sentimentos imutáveis e amizades incondicionais. É preciso deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Foi bom ver-te e sentir que te afecto.