Gosto do Verão. Gosto do som e cheiro da chuva. Gosto do som e do cheiro do mar. Posso estar muito tempo, alheado, a olhar para o vazio. Gosto do Cristiano Ronaldo. O rapaz é artista e humilde, por enquanto. Do Brad Pitt. Tenho ódio mortal à Angeline Jolie por causa do Brad Pitt. Mas também tenho um ódio mortal ao Brad Pitt por causa da Angeline Jolie. Tenho um grande sentido de justiça. Não tenho certezas políticas, religiosas ou espirituais. Não as tenho. Acredito na liberdade e no respeito por todos. Aprendi na primeira classe que não se responde com “hã?”, mas “diga. Detesto matemática. Mas gosto de Estatística.; e de Física, e de Química. Já apanhei uma multa. Até nem doeu. Gostava de ter aprendido latim em pequeno por causa dos benefícios linguísticos. O meu ídolo da juventude foi o George Michael, mas congratula-me, em adulto, por não ter sido o Michael Jackson. Basicamente o meu destino, aqui, na Terra, é o de andar por aí. Sinto-me iluminado, excepto quando a luz falha. A culpa é da EDP. A minha cor favorita é o azul, mas sou do Benfica. Tive várias paixões. Aprecio muito o BMW, mas acha-o demasiado caro, porra, vão roubar para a estrada. Sei que não se pode ter conversas inteligentes com fanáticos, mas em ocasiões raras não me contenho – e arrepende-me depois. Acreditei em Deus até aos seis anos. Hoje sou ateu. Porquê? Não sei, talvez porque aprendi a ler. Se a tal história da reencarnação for séria, já decidi: serei um homem rico na próxima vida. Todo bom, todo giro. Talvez o Brad Pitt !!! E astronauta, se poder ser. Militar é que nunca. Gosto muito do cheiro do pão acabado de fazer. Prezo muito a liberdade. No passado escrevi poemas. Não durou. Adivinho comportamentos, futuras situações, mais por obra e graça do bom-senso do que por habilidades psíquicas. Considero a lei do aborto em Portugal uma vergonha. E o Código Penal também e já agora porque não permitem a eutanásia? Talvez pensem nisso depois de se decidirem onde fica o novo aeroporto. Não gosta de passar a ferro. Gosto de ver filmes de terror, mas dos bons. Sonho demais. Penso demais. Tenho uma natureza idealista e sonhadora. Mas, depois a realidade impõe-se na sua visível crueza e … suspiro. Claro, sou Gémeos. Tirei a carta aos dezoito anos. Tenho irmãos. Não tenho avós vivos. Se fossem vivos, um tocaria bateria nos Xutos e Pontapés. Tenho amigos no estrangeiro. Visitei até à data a Espanha, França, Suíça, Alemanha, Bósnia, Timor, Indonésia e a Austrália. Gosto do fim-de-semana e preferia que durasse cinco dias. Não vejo as novelas de nenhum dos canais televisivos. Odeio novelas, já basta as que o Sócrates nos arranja. Não aprecio gente ruidosa, mal-educada e preconceituosa. Adoro música. Analisando a minha vida sob a perspectiva católica, cheguei à conclusão que acabarei, decerto, no inferno. Que bom, pelo menos fico no quentinho. Acredito nos seres humanos – nas suas falhas. E voltei a falar do Sócrates. Gostava de conhecer os Neandertais. Gosto de tomar banho e de água quente. Em miúdo quase morri afogado, não respirava. Por isso, hoje, nado mal. Não estranho o estado do mundo – só me entristece. Entristece-me a existência do George Bush e também do Bin Laden. Desta vez escapaste, Sócrates. Quem é que leu isto tudo até ao fim?


Tenho mais pena dos que sonham o provável, o legítimo e o próximo, do que dos que devaneiam sobre o longínquo e o estranho. Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada. Mas o que sonha o possível tem a possibilidade real da verdadeira desilusão. Não me pode pesar muito o ter deixado de ser imperador romano, mas pode doer-me o nunca ter sequer falado à costureira que, cerca da nove horas, volta sempre a esquina da direita. O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingências do que acontece.
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'
glitter-graphics.com A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
Charles Chaplin
es um fixolas continua assim...