Solitária num canto à espera das duas da manhã, não sabia o meu nome sequer, mas assim que me viu despiu-se com a réstia de lua que invadia pela janela. Seu corpo marcada pela vida mas jovem porém. “Beija-me” – com as mãos na cara e visivelmente embriagada. Aproximei-me apenas para lhe segurar o corpo prestes a cair no chão. “Não quero usar-te nem fazer seja o que for, vais-te arrepender assim que o sol nascer”.. “não quero saber, eu já me invadi de formas mais estranhas que esta e já me perdi, em ti posso encontrar-me, nem que seja para me sentir outra vez”. As lágrimas começam a correr, como se o dia de suicídio fosse este no caso de eu não aparecer aqui para a salvar. Deitei-a sobre a cama, mas ela queria mesmo era a continuar a beber. Tentava alcançar o copo de vinho da mesa-de-cabeceira, eu ajudei, pq naquele estado sei o quanto difícil é… o copo esvaiu-se num instante. “Preciso de alguém, nem que seja para me aquecer, o meu corpo já não quer saber, sou só eu, alma, mais nada”… o meu corpo abandonou-me, deixou de me fazer feliz ou dar-me conforto. Como é possível? Ela tinha o corpo mais lindo que já vi, o corpo mais digno de carinho, se não fosse a minha vergonha, tinha-lo demonstrado logo, mas quis ser cavalheiro, não confundir amor com o desejo que estava a irromper a minha sanidade. Deitei-me a seu lado, agarrei-lhe na mão e ela encostou-se em mim. Foi assim que adormeci e quem me dera não o ter feito, como me arrependo… nunca irei ver nem tocar em ninguém assim novamente. 10 da manhã acordei com um calor estranho à minha volta, antes de abrir os olhos agarrei-me a ela, sonhando já com o perfeito dia de domingo que poderia inventar com ela ao meu lado.
Sonhei muito antes de abrir os olhos, como se o meu dia fosse o prolongar da noite, que ninguém me tirasse daquele sonho
Acordei sozinho de novo perto do copo de vinho que eu próprio bebi mais aquele vestido que Cristina, minha ex-namorada se esqueceu, enrolado ao meu corpo. Sozinho de novo, não há dúvida.
Lamento ainda hoje continuar a sonhar assim e não saber vivê-lo.
Boa noite