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Maria :: Profile (310 views)
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Todas as formas de arte interventivas ao quotidiano... It's an addiction, what can I do? *culture jammer*

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Em boicote a televisao desde Setembro do ano passado! Oh Yeah!! Viva a mim!
 

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"The realization of ignorance is the first act of knowing" -O acordar...
 
 

Journal

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De Angélica Liddell - Tradução Portuguesa por Alberto Augusto Miranda in Edições Buraco, Lisboa, Julho 2003.

 

"Aos filhos que não vou ter.
Não quero ter filhos.
Não quero ir mais longe.
Sou uma epidemia de ressentimento
Não quero ter filhos.
É a minha maneira de protestar. O meu corpo é o meu protesto.
O meu corpo renuncia à fertilidade.
O meu corpo é o meu protesto contra a sociedade, contra a injustiça, contra o linchamento, contra a guerra.
O meu corpo é a crítica e o compromisso com a dor humana.
Quero que o meu corpo seja estéril como o meu sofrimento.
O meu corpo é o meu protesto.
O meu corpo é o meu pessimismo. Graças ao pessimismo posso fazer-me perguntas.

(...)
Não quero trazer nada ao mundo excepto o meu profundo horror pelo mundo. Depois dos desastres do século XX apenas posso sentir horror. Depois de tamanha exibição do mal, o homem já não pode redimir-se. Quem pode voltar a amar os homens? Quem pode voltar a cantar em louvor dos homens? Alguém disse que depois dos horrores do século XX não era possível continuar a escrever. A palavra tinha-se tornado absurda, insuficiente. Os filhos são como a palavra, insuficientes. Seria bom para a minha mente aceitar a insuficiência da palavra e do homem. Mas dentro de mim há um qualquer crocodilo que me impede de aceitar isso. Cada vez suporto menos a injustiça, cada vez suporto menos a maldade. O mundo está alicerçado na injustiça e no mal.
Apenas consigo protestar.
O meu corpo é o meu protesto.
Quero morrer sem ninguém, sem deixar nada para trás. É a minha maneira de me unir aos que foram exterminados, aos que sofreram sem limite.
Não quero esperança.
O meu corpo é o meu protesto.
O meu corpo é um exemplo para suicidas, um exemplo para assassinos, um exemplo para todos os que se desprezam a si próprios.
Meu maldito corpo.
Minha decisão anormal.
Chega uma altura em que a sociedade se excita, se impacienta e procria, procria porque sim, procria. Que motivos tem?
Pergunto-me: que motivos tem?
Porém, a minha decisão é anormal.
Perdão pela violência.
A minha violência verbal é a minha luta contra a violência real.
O meu corpo é o meu protesto.
O meu protesto contra os vestidos pré-mãmã.
O meu corpo, voluntariamente estéril, é o meu inconformismo.
O meu corpo é a minha falta de adaptação.
As grandes esperanças dos meus pais destruíram as minhas próprias esperanças.
O meu corpo é o meu protesto contra as grandes esperanças dos meus pais, contra as grandes e estúpidas esperanças do mundo.
O meu corpo é o meu protesto.
O meu corpo é a minha acção.
A minha decisão anormal é a minha acção.
Em resumo, a minha vida é a minha acção.
Só quero ser filha.
Comigo termina a tirania do sangue.
Não quero constituir família.
(...)
Não me sinto capaz de agradar aos poderosos, aos privilegiados. Se lhes agrado estou a alimentar a obesidade e o conformismo de uma sociedade idiota, delicodoce.
É necessário que haja alguém que não queira ter filhos. É necessário para desestabilizar as consciências. É uma forma de fazer justiça.
O meu corpo é o meu protesto.
É a minha forma de fazer justiça.
O meu corpo é o meu protesto.
Não quero ter filhos.
Quero ser pobre.
Não ter filhos é uma maneira de ser pobre.
Os pobres são essas pessoas cuja morte não interessa a ninguém.
Essa é a morte que eu desejo.
Não quero ter filhos.
É uma forma de ser um pouco mais pobre.
Às vezes penso que não depende de mim.
Estou possessa de uma raiva inidentificável que me obriga a enlamear-me continuamente na dor.
De onde vem essa raiva?
A quem pertence a vontade do enfermo?
O meu corpo é o meu protesto.
O meu corpo protesta contra a minha geração.
A fraude da minha geração.
Criaram uma sociedade classista, orgulhosa, ambiciosa e brilhante
Com o suor das suas testas, brilhante.
Com o suor das suas testas, ambiciosa.
Com o suor das suas testas, orgulhosa.
Com o suor das suas testas, classista.
Apenas procuram a comodidade.
(..)
O meu corpo é o meu protesto.
Sou uma estúpida.
Sou aquela que se equivoca por pretender sentir-se perdedora e ridiculamente heróica. Acuso-me de petulância. Sou petulante por andar ao contrário do mundo. Ainda que talvez faça parte da sua inércia. Não gosto de pensar assim, mas a raiva obriga-me a isso.
Uma pobre ressentida com aspirações artísticas. Eis o que sou.
Não quero salvar-me.
Sou a pior. A pior.
Protesto com o meu corpo.
Sou um caixote de lixo cor-de-rosa.
A imundície da minha carne faz com que qualquer um que se aproxime se torne escrupuloso.
Estou consumida pela verdade.
(...)
O meu corpo é o meu protesto.
O meu corpo é a minha acção.
O meu corpo é a minha obra de arte.
A minha decisão é a minha obra de arte.
Não ter filhos é a minha obra de arte.
Não fazendo filhos, faço arte.
(...)
O meu corpo é o meu protesto
Protesto contra a ausência de paixões.
Protesto contra a fraqueza e a sensatez.
Protesto contra o uso do dinheiro.
(...)
Protesto contra o prestígio social e protesto contra a segurança.
Aqui está o meu corpo protestando, sem filhos.
(...)
O meu corpo protesta contra a calma.
O bem-estar, a segurança, a calma.
Tudo o que os alisa.
Nada de paixões. Nada de excessos.
Trabalham para pagar o ginásio.
Para pagar a protecção enquanto trabalham.
Enquanto trabalham para pagar a protecção e o seu eterno descanso.
E o seu eterno sacrifício.
Não posso identificar-me com eles.
Não posso identificar-me com um plano de pensões.
Não.
A minha vida é patética e adolescente.
Sou uma merda.
Mas não quero ser como eles.
Tanto faz. Não é possível fazer marcha atrás.
A minha geração move-se em direcção à estabilidade, ao plano de pensões, ao restaurante caro, ao carrinho cheio de compras, move-se em direcção a um consumo sem limites.
Por detrás das suas carteiras são uma massa flácida e sem forma.
Eu não sei para onde estou a ir.
Em qualquer caso, não ter filhos dá-me força. A minha decisão dá-me força.
(...)
O meu corpo é o meu protesto
O meu corpo é a minha acção.
A minha vida é a minha acção.
Não quero ter filhos.
Porquê?
Talvez por raiva, esta raiva, aqui dentro.
Está sempre prestes a começar uma guerra.
O mundo é maravilhoso."

 

 

Comments

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Leave a comment for Maria

Jul 25, 2008 3:00 AM
 
Olarés minha linda***! Já te posso vir mandar um beijinho, já estou conectada ao mundo virtual e cibernáutico!! Yá..mais um passo no avanço do mundo tecnológico da tânia...só não sei é mexer muito bem com ele! eh eh Beijinhos grandes e vê lá se vais mandando mails..tens sido uma desnaturada... ;o) *luv u*
 
Jul 9, 2008 6:48 PM
Bruno says:
 
FOI MUITO BOM MUITOOO MESMO TAR CONTIGO
JA MORRIA DE SAUDADES1
ADORO-TE MINHA AMIGA
ESPERA ESPERA DIA 2 DE SETEMBRO TA KUAZE
WEEEEEE
 
Jul 8, 2008 3:23 PM
 
EEEEEEEEEEEEEEEEEEEI louca londrina, tens de me dizer uma coisa porque quero manter-me em contacto ctg oki oki oki????????????????????? teu contacto msn ou mail ou assim manda-me depois uma mensagem depois explicoooo

BEIJAO tudo de bom...ja agora gosto da musica ehEHeHEHEHEH
 
Jun 26, 2008 7:43 AM
Marta says:
 
Alo meu anjo incandescente.... yuupiii.... finalmente deixas o frio e vens para a terra nostra!!!! claro k te dou estadia... kdo vens pa lx?? diz qq coisa... bjao k mtas saudades... ate ja minha emigrante lusa
 
Jun 2, 2008 10:18 AM
 
 
May 23, 2008 4:46 AM
 
 
Feb 24, 2008 3:06 AM
 
ola maguia como estas? olha estou com saudades tuas. continuo por aqui feliz com a formaçao, com o césar tb ja sabe falar um bocadinho frances. e vamos vivendo... as vezes melhor outras vezes pior...lol e queria saber como andas, vi as fotos do carnaval chines, engraçado comprei um chapeu de sol chines... bjs grandes
 
Dec 12, 2007 10:25 AM
 
ola maguia linda esta quase a chegar o natal estou com saudades de todos....
espero q estejes feliz e contente, eu vou andando ando cansada e anciosa de estar de férias, serm tempo..... mas no fundinho do meu coraçao feliz
novidade o meu amor césar vem comigo pra frança em janeiro.... aiiiiiii... mudança a vida..... que cena... bjs grandes da tua amiga que te ama mucho.
 
Nov 22, 2007 7:58 AM
 
maguia tao linda fizeste anos.... heee
PARABENS MAGUIA, nao tas nada velha tas linda e mulher
ando cansada as de aulas de dança clasica dao cabo de mim mas estou a a dorar olha tenho montes de celos para o teu pai franceses, da-me outra vez a tua morada de lagos acho q ele vai ficar contente....BJs grandes com muita saudade carinhosa.... MUA
 
Nov 7, 2007 10:15 AM
 
bjs maria, estou cheia de saudades nem sabes, que vontade tenho eu de abraçar o mundo.
O mundo é Maravilhoso
nao ha alternativa senao ficar de pé
 
May 7, 2007 5:07 AM
Marta says:
 
Meu amori! Meu pirilampo canino! Minha pitxukita assimétrica!
Te amo ragazza bela! Mtos, mtos e mtos PARABENS... sabia k ias conseguir entrar na Escola de Artes!!!! Tou tão feliz minha amiga!!! Rebenta k eles!!
Desculpa-me... Perdoa-me... sabes k eu detesto estar em frente ao pc... mas, não há um unico dia em k não pense em vcs, meu imigrantezitos!!!! Estás fixada, colada, embrenhada, no meu pikeno coraçao... LOL... mas tu tb sabes disso... fazes é questão k o frizemos... (sabes mto...)
QDO VOLTAS?!!?!?!!?...
Em Outubro já começo os ensaios na Compª Teatro do Dragoeiro... Brutal!!! Finalmente!!!... He, he...

Até já babe... e não te eskeças... nunca te eskeças...
Mil beijos virtuais...
 
Apr 22, 2007 6:01 PM
Bruno says:
 
so tenho a dizer:
"A futura mae dos meus filhos"...
txi amo!



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