"Já me ri até doer a barriga, já nadei até perder o fôlego, já chorei até adormecer e acordei com a cara inchada, já me queimei a brincar com velas e já falei com o espelho.
Já me escondi atrás das cortinas e esqueci-me dos pés de fora. Já passei a correr pelo fio do telefone e cai de cara no chão.
Já apanhei banhos de chuva, já fiz confissões antes de adormecer, fiz loucuras que só eu sei, já confundi sentimentos, já andei no caminho errado e continuo a andar pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela, já chorei a ouvir musica, já ri em alto e bom som. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi às escondidas até ao terraço para agarrar estrelas, já subi a uma árvore para roubar fruta. Já cai da escada de rabo, já disse disparates, já meti os pés pelas mãos, já me arrependi de morte e corei ate ficar roxo.
Fiz juras eternas, escrevi no muro da escola e chorei sentado no chão da banheira. Já fugi de casa para sempre, e voltei no instante a seguir. Já saí para andar sem rumo, sem nada na cabeça, a ouvir os meus passos. Já corri para não deixar alguém a chorar, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas a sentir falta de uma só.
Já ouvi elogios e críticas que não consegui aceitar. Já mergulhei na piscina e não quis sair mais, já tomei whisky até sentir meus lábios dormentes, já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já vi o pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já olhei o meu mundo de cima a baixo e mesmo assim não encontrei o meu lugar.
Já tive medo do escuro, já vi o arco-íris mesmo por cima de mim, tremi de nervosismo, quase morri de amor. Já acordei a meio da noite e fiquei com medo de me levantar, já gritei de felicidade, já abracei mais que uma pessoa ao mesmo tempo, já me apaixonei e achei que era para sempre, mas era sempre um "para sempre" pela metade.
Já me deitei de madrugada e vi a Lua virar Sol, já vi amigos partir, mas descobri que rapidamente chegam novos, e a vida e mesmo assim, um ir e vir sem razão..."