Boas...
Há coisas que me deprimem, outras que me fazem chorar mas as que eu mais detesto são aquelas que me revoltam. Uma das coisas que mais me revolta é o quão injusta a sociedade consegue ser quando em situações banais discrimina nas barbas de toda a gente um individuo pela sua profissão.
Todos os anos, milhares de jovens credenciados rumam às praias para assegurar a segurança dos milhões de pessoas que por elas passam, cumprindo o seu dever e acarretanto a responsabilidade de arriscar a vida para salvar alguém que muio provavelmente nem sequer conhece. Refiro-me obviamente aos “Nadadores-Salvadores”.
Para quem pensa que o Nadador-Salvador não trabalha, só tenho duas palavras: vá-se catar! Para alem de passar o dia todo ao sol, o Nadador-Salvador diz trezentas vezes por dia as mesmas coisas às pessoas o que provoca stress, principalmente quando se preparam para assar chouriços na ilha... Quando está uma lontra com 180kg a afogar-se quem é que lá vai? É você? Sujeito a ser “galfado”? É o Nadador-Salvador que se vai meter na boca do lobo!
Mas, voltando ao tema inicial, revolta-me a injustiça social respectivamente ás profissões. Entristece-me o facto das pessoas, mesmo sem se aperceberem, cometerem injustiças que podem ter repercussões na vida pessoal e profissional de um trabalhador.
Uma das maiores injustiças a que assisto todos os dias é, na distribuição das “gorjas”.
Num Restaurante, quando pagamos, deixamos quase sempre uma “atençãozinha” ao funcionário, sinal de que se esforçou para fazer bem o seu trabalho e de que deixou os clientes satisfeitos.
Num Hotel, o que fazemos quando o funcionário do serviço de quartos deixa qualquer coisa no quarto? Ah, uma gorjeta ao rapaz! Há pessoas que até deixam a bela da moedinha ao arrumador de carros que se farta de trabalhar a tentar não cair para a frente do carro que “arruma”... Quem é que já deixou uma gorjeta a um Nadador-Salvador após este lhe ter salvo a vida? Ninguém, porque deixam as carteiras na toalha de propósito: “Deixa-me cá arrumar a carteira antes que tenha que ser salva e depois tenho que dar gorjeta! Outros é porque: “Ah, tou muito aflito!”, embora recuperem logo que o Nadador-Salvador vira costas. Porque será? A quem lhes leva comida e bebida dão gorjetas a torto e a direito, a quem lhes salva a vida, nada!
Quando vejo os funcionários de um Restaurante, a passar em camara-lenta, com as mãos cheias de gorjetas, com um enorme e cínico sorriso, fico a olhar e penso: “Sortudo, serves comida! E eu aqui a salvar, a salvar, a salvar e nada!
Fico ainda mais revoltado porque trabalho nestas duas áreas e, quando me dão gorjetas no restaurante eu penso: “Se te tivesse salvo a vida a ver se me davas alguma coisa!”
Bom, obrigado pelo tempo que desperdiçaram e, ate uma próxima!
Pêpê
Eheheh