Tirei um curso de cozinha e pastelaria e fui estagiar para Portimão, Algarve. onde quando lá cheguei fui recebido nas instalações do hotel. O estágio decorreu bem até as nossas diferenças começarem a falar mais alto. Estava num quarto com 4 colegas. Todos com horários diferentes. No começo, já um colega decidiu voluntariamente sair do quarto. Ficamos reduzidos a quatro. A partir daí, tudo pareçia estar melhor, mas na verdade só tornou as coisas piores. Parecia uma luta constante! Todos estavam a querer o mesmo e ninguém na verdade contribuía para tal. Paz e sossego era o que precisávamos, mas o certo é que era sempre uma balbúrdia e isso prolongou-se até as últimas três semanas de estágio… Foi nessa altura que começou a desaparecer dinheiro, roupas e até meias! Foi aí que se começou a instalar uma enorme tensão entre todos. Estávamos todos desconfiados, até um dia em que um colega de quarto decidiu usar as coisas do Magno sem pedir.. Quando foi apanhado e confrontado, negou!
As atenções logo viraram-se para ele, mas o colega não se deixou ficar por aí. No dia seguinte foi direito ao escritório fazer queixa de nós, como forma de se vingar de suspeitarmos dos seus comportamentos estranhos para connosco. Não demorou muito até desaparecer mais dinheiro no quarto. As suspeitas aumentaram quando soubemos que a conta bancária dele estava a zeros, devido a uma tentativa de empréstimo que ele fez para com uma das raparigas. Mesmo assim, o certo é que ele arranjava sempre forma de sair e sempre com dinheiro. Estranho, certo? Um dia, este colega resolve pegar numa bicicleta de um outro rapaz que tinha ido para Lisboa descansar as folgas. Pegou na sua bicicleta e desceu o campo de golfe, embora ele sabia que era proibido andar de bicicleta pelo campo de golfe. Não hesitou e fez-se à estrada, como se costuma dizer. Teve azar! A bicicleta estragou-se na corrente. E se ele ia de bicicleta, um outro colega tentava acompanhá-lo a pé. Quando o alcançou, viu o rapaz que tinha levado a bicicleta a atirá-la para o lago, dizendo apenas: “ISTO NAO É PROBLEMA MEU. É DO OUTRO. ELE QUE SE LIXE!”. As suspeitas aumentam quando, dias antes deste episódio, a bicicleta de um colega tinha desaparecido misteriosamente, exactamente no dia em que o nosso suspeito decidiu sair mais cedo do trabalho. Quando chegou à residência, confrontamos o suspeito quanto ao seu comportamento. As respostas eram sempre as mesmas: «e se fosse? têm provas? Não há provas de nada!” E de facto, não havia… Os episódios estranhos não ficaram por aqui. Um desses dias, a minha carteira desaparece! Estávamos todos no quarto, quando de repente o nosso suspeito virasse para mim e diz: “eu hoje vi a tua carteira na gaveta... ela não está aí?» O curioso é que dias depois a carteira aparece no meio das roupas de um colega, o tal da bicicleta desaparecida. Os primeiros indícios apontavam para que fosse ele o autor do desaparecimento da bicicleta, mas pensando melhor, porque carga d’água o outro sabia que a minha carteira estava na gaveta antes de desaparecer?! Estranho não? As suspeitas começavam a se tornar em certezas. Depois dos roubos, do episódio das bicicletas e de muita má criação, o nosso suspeito número 1 começou a armar confusão com uma senhora que fazia a limpeza do quarto. A confusão era tanta que ele chegou a dizer que iria se vingar no último dia.
E eis que chegamos ao último dia de estágio no Algarve! Acordamos todos. Estávamos muito contentes! Eu e dois colegas fomos para a ala das raparigas combinar o que íamos fazer, mal chegássemos à Madeira. As férias, a família, o descanso!!! O nosso suspeito não nos acompanhou. Foi para o hotel. Mais tarde, quando chegou pediu-me a chave do quarto. Sem maldade, emprestei-lhe a chave para ele lá ir buscar as suas coisas. Passado um bocado e como a demora era muita, decidi ir ao quarto ver o que se passava. Quando lá entrei, encontrei o rapaz a mexer nos lençóis. Apercebi-me que aquilo estava tudo sujo e pensei que ia dar confusão. Perguntei-lhe o que se tinha passado e ele respondeu que não sabia de nada. Disse-me ainda para irmos embora e para ajudá-lo a levar as coisas dele. Achei que tinha demasiada pressa para sair dali…
Já na Madeira, fomos chamados ao tapete. Uma das responsáveis confrontou-nos com esta situação. A senhora só queria saber quem tinha feito tal disparate. O nosso suspeito esteve presente numa dessas reuniões, mas nunca confessou o que tinha feito. Aliás, como sempre…Tentamos explicar o que se passou no estágio, mas a senhora em questão nem quis ouvir. Queria um culpado à força e se não aparecesse, íamos ficar todos sem trabalho e sem diploma. Dias depois desta ameaça, recebo um telefonema para ir assinar contrato. Fui no dia e na hora combinadas. Esperei muitas horas. As duas responsáveis pelo curso estavam muito ocupadas. Deram-me uns papéis para preencher e passadas umas horas chamaram-me para dentro de uma sala, onde nos explicaram como seria o contrato e as respectivas condições. Após este esclarecimento, a responsável vira-se para mim e para um outro colega e chama-nos, afirmando que nenhum de nós iria trabalhar no hotel porque tentamos incriminar um colega, o tal suspeito. Disse que nosso quarto existiam câmaras escondidas e tinha provas que nós os dois é que tínhamos provocado tamanha confusão no último dia. As provas, disse a senhora, não estavam com ela. Depois, virou-se para mim e disse que eu ainda tinha uma última hipótese de receber o diploma se confessasse que estava no quarto quando aquilo aconteceu e se confessasse que tinha sido o outro colega que estava comigo! Ou seja, queria que acusasse a pessoa errada e que nem tinha lá estado!! Queria obrigar-me a mentir, quando já tinha contado toda a verdade! A nossa sentença já tinha sido decidida há muito tempo e sem qualquer forma de nos defendermos. Isto dói! Penalizados por nos recusarmos a mentir!!! Antes de sair do escritório, disse-lhe: «EU JAMAIS IRIA ME PREJUDICAR POR ALGUÉM QUE MAL CONHEÇO. O QUE EU FAÇO ADMITO. JAMAIS IRIA ADMITIR UMA COISA QUE NAO FIZ, OU QUE NAO SEI OU QUE NAO VI». É claro que fiquei sem trabalho e sem diploma. Esta senhora fez questão de anunciar que eu tinha perdido no estágio. E eu pergunto, como perdi no estágio se tive notas positivas e se concluí o curso com sucesso? No que depender de mim, vou lutar para ter o meu certificado, mas não pactuo com abuso de poder! Isso nunca! A integridade acima de tudo!
podes "roubar" a foto a vontade...
bjs