Um raio de Sol
Abriu o céu
Por um momento
E o meu corpo estremeceu
Quebrou a imobilidade que o paralisava
Há tempo interminável
Doce Fada
Como eu gostaria de estar ainda vivo
Para ti
Será que ainda resta em mim
Alguma vida
Que poderás ressuscitar?
Tenho receio
Que todos estes anos
Em que a tristeza me paralisou
E em que não me movi
Tenha petrificado
Os meus músculos
Tenha mortificado a minha alma
Serei ainda capaz de voltar a viver?
Na verdade sinto-me morto
E quando observo os outros
(lá fora)
A moverem-se,
A rir,
A correr,
Tão atarefados nas suas andanças,
Apenas recordo que já fui assim,
Acreditando em coisas.
Apesar de nunca encontrar;
A ela,
À minha casa,
À minha família,
Ao meu povo,
Ao raio de Sol
Apesar de nunca encontrar,
Sobrevivi tanto
E tanto tempo
Ainda acreditando...
E quando deixei de acreditar
Comecei a morrer
Caí na inanição
E cada vez mais tempo permaneci imóvel
Rígido
Estático
Receio que
tenha morrido ainda vivo
ou que me esteja transformando
em estátua.
Ressuscitar-me-ias?