
Considero-me uma pessoa com características de dificuldade de contacto pessoal e com tendência ao isolamento. Na literatura científica pode denominar-se com traços de esquizoidia.
Geralmente o esquizóide possui uma maior conexão e compreensão dos planos subtis e superiores da consciência, e traz, de uma forma mais vívida, na memória, que existe uma consciência diferente, mais ampla e una com o Todo (a consciência Cósmica), e que todos nós possuímos, mas permanece em estado potencial dentro de cada um de nós.
Cresci num ambiente familiar com dificudade de expressão afectiva e contacto físico. Cresci com dificuldade de socialização, ansiedade de separação, insegurança, medo, apenas aliviados através de uma intelectualização precoce. Na puberdade, antes de dormir, via as telenovelas que me davam a falsa sensação de esperança, de segurança, porque assim conseguia evitar o contacto pofundo com todos os sentimentos de uma forma intensa.
Embora a falta de confiança e a dificuldade de criar vinculos, o orgulho, a frieza e a indiferença estivessem presentes, a ilusão da serenidade era muito forte.
Sofri e fiz sofrer, mudei e fui obrigada a mudar, sorri e fiz sorrir. Comecei a ler e a entender a ponta de um todo...estava eu sentada a passar páginas de internet e chorei quando li:
"Uma onda no oceano tem um começo e um fim, um nascimento e uma morte. Mas o sutra do coração diz que a onda é vazia. A onda é cheia de água, mas é vazia de um Eu separado. Uma onda é uma forma que se tornou possível, graças à existência do vento e da àgua.Se uma onda visse a sua forma, com o começo e o fim, teria medo do nascimento e da morte. Mas se a onda vir que é água, e se se identificar com a água, então, ela se emancipará do nascimento e da morte. Toda a onda nasce e morre, mas a água está livre do nascimento e da morte." Thich Nhat Honh
Depois da minha experiência do despertar interior, algum tempo se passou e alguns acontecimentos se deram.
Eu estava a vivenciar nível da persona e o nível bio-social do espectro, além da sombra pessoal (no sentido de Jung- óptima leitura para pessoas como eu), que ressoava explicitamente diante de casos que cada vez mais teimavam em aparecer-me, ou seja, eles viviam as suas próprias sombras fortemente, accionado assim os meus próprios níveis, acreditando que eu os mantinha bem seguros. Caí com eles....julgava-me preparada, sem medos e com confiança suficiente para os trazer e alguns para elevar. Não consegui, errei... Paguei caro os meus erros, a minha recusa.
Eu possuía uma certa compreensão do processo, mas foi insuficiente, diante da realidade dolorosa em que me encontrava. Necessitei de apoio externo, sem saber que a força estava em mim.Era exactamente do Ego que eu necessitava para equilibrar as extremidades do espectro e era evidente para mim que seria através do recurso em que eu possuía maior intimidade (o nível racional), que me podia reestruturar gradualmente. Passei a efectuar os conhecidos,ou não, estados modificados de consciência. Ajudou-me muito a enfrentar e a saber lidar com os meus medos. Revi caras que me marcaram na adolescência, enfrentei amizades que pensei outrora estarem acabadas, senti na pele situações macabras que supostamente me aconteceram. Continuava a minha busca pessoal de maior auto-consciência e, apesar dos sustos, mantinha a minha firme convicção.O que é meu será meu,se não for hoje,será amanhã,se amanhã não vier,esperarei até ser.
Todas as vivências foram sempre muito intensas e transformadoras. O contacto afectivo e de confiança nos outros foi bastante gradual, mas, a minha entrega às experiências era muito forte (eu comigo mesma).
Toda a questão de amorosidade, afecto e contacto físico,traziam uma cura muito profunda aos núcleos de traumas, libertando a energia condensada.
Já sensibilizada com todos estes meus aspectos, decidi dar e dar e dar...só dando se pode receber uma enorme plenitude. O amor é a grande força curativa e transcendente.O toque deve ser muitissímo delicado.
A minha sombra, a criança interior e as memórias de um passado aliadas a uma vontade, ainda distorcida, não me permitem a abertura do Self ao fluxo amoroso. Continuarei a descobrir-me, a entregar-me. Assim sendo,
O vazio é a forma, e a forma é o vazio.
loooooooooooool
adoro-te bjs fofinhos