O alentejo não é plano, eu não sou plano e o meu joelho também não é plano!
Não sei dizer se o dia de hoje foi o mais complicado, mas, foi certamente, o mais doloroso... dos 94 km realizados, cerca de 70 foram feitos com um joelho em agonia, o direito! Fui obrigado a pedalar com menos velocidade e cadência, a parar mais vezes, a coxear quando andava, a massajá-lo, a passar creme próprio para traumas musculares, tudo atenuantes momentâneas das dores que o meu joelho decidiu infligir-me. Ao chegar a Elvas e para piorar, o joelho esquerdo também decidiu dizer que existe e lá me fez das suas. Ainda agora, já deitado o joelho direito está no caos e portantoainda não faço ideia de como será o dia de amanhã. Até Portalegre, pelo menos por agora, parece tarefa impossível. De manhã analiso o seu estado, a possibilidade de ir à farmácia e de seguir para Portalegre ou para o destino mais próximo com estação ferroviária. À parte do joelho tudo correu muito bem, até chegar a Elvas e detectar o encerramento do parque de campismo, portanto, obrigação de procurar outro local para pernoitar!
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Mas o dia foi mais que isto... começou às sete e pouco da matina quando madruguei e, mais uma vez, tomei conta dos preparativos necessários a outra prova física e psicológica. Com pequeno almoço tomado no café Solar, pertencente aos donos da Pensão Solar de São Bento, onde estive alojado, revisitei o castelo de Mourão, de forma a registar analogicamente o monumento, já que no dia anterior não o consegui por falha humana (não levei rolo a mais). Em seguida despedi-me desta aldeia ribeirinha e atravessei o grande lago até Monsaraz, aldeia histórica, lá no alto, o que culminou com o abate das funções anatomicamente suportáveis deste meu joelho. Mas lá em cima a aldeia cativa, tudo está cuidado e cativa qualquer um que por ali passe, por isso lá vou voltar e aproveitar melhor o que a Terra tem para dar e se deus quiser na companhia da família Cordeiro e 'beber binho e ber as bistas'!!
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O dia de hoje também correu bem pois, foi o dia em que mais gente me acenou, incentivou, buzinou e até não se coibiram de mandar umas 'pó' ar: "Vais sozinho, então deixaste-a para trás!?" - homens no campo; " Tou a ver que veio de lambreta!" - comentário de um velhote numa taberna em Juromenha que apenas me viu de luvas. E uma série de 'boas viagens'. Tudo para que não desistisse e lá fui aguentando até ao final, com a velocidade média mais baixa de todos os dias! Tou na cama e tenho a perna quase estática, não consigo quase mexer o joelho. Depois de passar por Terena e juromenha cheguei finalmente a Elvas em busca do parque de campismo, o qual se encontra encerrado e apenas alberga os ciganos que estão na feira de São Mateus. Eu instalei-me na residencial Carrascal, a bike foi para um garagem e por cá jantei, retirando-me em seguida!
Amanhã é dia 28 de Setembro de 2007, o que ainda me diz muito. Estar sozinho ainda não me permitiu livrar-me dos fantasmas das minhas mais recentes perdas. O que tenho concluído deste dias é que me parece que me sinto mais sozinho lá pela minha terra do que andar pelo Alentejo solitário, em cima do assento da minha bicicleta. Não sei o que isso significa, mas no final da jornada vou tentar reunir aspectos positivos, negativos, alcances espirituais, provas dadas, provas a dar, espectativas alcançadas, por alcançar e no futuro. Hasta la mañana... ai o joelho... dores enormes!!
David Borges Quinta-Feira, 27 de Setembro de 2007
:)
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