nos teus braços estremeci
como passarinho aflito
aprisionado e querido
reportas-me intensamente a Deus
e agora
que me são congeladas as lágrimas
procuro resposta infinda
o teu nome é saudade.
no silêncio deste rosto
a tristeza não existe
lágrimas são barcas
que navegam outros céus
as pérolas dos olhos
decantam imagens lindas
na retina
cada manhã ou flor
reveste uns dedos renovados
em qualquer jardim um presépio recente
brincadeira de criança
a primavera é já uma largueza de aves
simplesmente harmoniosas
depois do adormecer em Cristo.
(Poema dedicado a meu pai, na data em que partiu - Outubro de 1973 - por morte prematura.)