Maximus era um miudo muito alegre. Toda a gente gostava dele: a familia, os professores e os amigos.
Mas ele tinha um ponto fraco. Nao conseguia viver no presente. Nao aprendera a apreciar o processo da vida. Quando estava na escola, sonhava em ir la para fora brincar. Quando estava a brincar, sonhava com as ferias de verao. Maximus passava a vida a sonhar acordado, sem tempo para saborear os momentos especiais que preenchiam sua vida. Um dia de manha estava a passear na floresta perto de sua casa. Como se sentia cansado, decidiu descansar numa clareira e acabou por adormecer. Passados uns minutos apenas, ouviu alguem chama-lo. Maximus! Gritava a voz estridente la do alto. Quando abriu os olhos, apanhou um susto ao ver uma mulher de pe a sua frente. Ela devia ter mais de cem anos e os seus cabelos brancos como a neve ultrapassavam, em comprimento, os ombros, com um cobertor de la. Na mao enrugada, a mulher tinha uma bolinha magica com um furo no meio, por onde passava um comprido fio dourado.
Disse ela: “Maximus, este e o fio da tua vida. Se puxares o fio um bocadinho, uma hora passara em segundos. Se puxares com forca, varios dias passarao em minuto. E se puxares com forca, meses, e ate anos passarao numa questao de dias.” O Maximus ficou excitado com esta descoberta. Posso ficar com ele? Perguntou. A velhinha baixou-se e deu ao menino a bola com o fio magico.
No dia seguinte, o Maximus comecou a ficar inquieto e entediado, durante as aulas. De repente, lembrou-se do seu brinquedo novo. Assim que puxou o fio um bocadinho, encontrou-se em casa, a brincar no jardim. Apercebendo-se do poder do fio magico, o Maximus rapidamente se cansou de ser um menino escola e desejou ser adolescente, com todas as aventuras que essa fase da vida lhe traria. Portanto, pegou na bola e puxou o fio dourado com forca.
De repente, ele era um adolescente, com uma namorada muito bonita chamada Angelica. Mas nem assim o Maximus estava satisfeito. Nunca aprendera a saborear o presente e explorar as simples maravilhas de cada fase da via. Em vez disso, sonhava em ser adulto. Portanto, tornara puxar o fio e passaram-se muitos anos num instantinho. Agora, ele transformara-se num adulto de meia-idade. Angelica era sua mulher e o Maximus estava rodeado de um bando de filhos. Maximus reparou noutra coisa. O seu cabelo, outrora preto, comecara a ficar grisalho. E sua jovem mae, que ele tanto adorava. Tornara-se velhinha e fragil. Mas nem assim o Maximus conseguia viver no presente. Nunca aprendera a faze-lo. Portanto, tornou a puxar o fio magico e esperou que as mudanças ocorressem.
O Maximus viu-se na pele de um homem de noventa anos. Os seus cabelos pretos e grossos estavam brancos como a neve e sua jovem mulher Angelica tambem envelhecera e morrera uns anos antes. Os seus queridos filhos tinham crescido e saido de casa, para viverem as suas proprias vidas. Pela primeira vez em toda a sua vida. O Maximus percebeu que nao parara par a aproveitar as maravilhas de viver. Nunca fora a pesca com os filhos, nem dera um passeio ao luar com Angelica. Nunca plantara um jardim. Pelo contrario, passara pela vida a correr, sem nunca descansar para ver tudo o que de bom a sua volta.
O Maximus ficou triste com esta descoberta. Decidiu ir dar um passeio pela floresta, como costumava fazer em crianca, para esclarecer as ideias e consolar o espirito Ao entrar na floresta, reparou que os pequenos rebentos da sua infancia se tinham transformado em imponentes carvalhos. A propria floresta amadurecera e tornara-se num paraiso natural. Deitou-se numa clareira e caiu num sono pesado. Passado uns minutos, ouviu alguem chama-lo. Maximus! Gritava a voz. Ele olhou para cima, espantado, e viu que era precisamente a velhinha que lhe dera a bola com o magico fio dourado, ha tantos e tantos anos. “Gostas-te da minha prenda especial?” perguntou ela. O Maximus respondeu sem hesitacao. “No inicio achei-a divertida, mas agora detesto-a. A minha vida inteira passou-me diante dos olhos sem eu ter oportunidade de a aproveitar. Sim, teria vivido momentos tristes a par com os momentos alegres, mas nao tive oportunidade de viver nenhum deles. Sinto-me vazio por dentro.”
Disse a velhinha: “Es muito ingrato mas, apesar disso, vou conceder-te um ultimo desejo”. O Maximus pensou por uns instantes e, depois, apressou-se a responder: “Quero voltar a ser um menino de escola e tornar a viver a minha vida”. E adormeceu novamente.
Acordou outra vez com uma voz a chama-lo e abriu os olhos. “Quem sera desta vez?” , Interrogou-se. E de repente, viu a mae junto da sua cama. Era jovem, saudavel e radioso. O Maximus percebeu que a estranha mulher da floresta lhe concedera, de facto, o seu desejo e que ele regressara a sua vida anterior. “Despacha-te, Maximus. Dormes demasido. Os teus sonhos vao fazer-te chegar tarde a escola se nao te levantas imediatamente”, respondeu a mae.
Escusado sera dizer que o Maximus se levantou de um salto, nessa manha, e começou a viver a vida como esperara. O Maximus teve uma vida preenchida, cheia de deleites, alegrias e triunfos, mas essa vida so comecou depois de ele parar de sacrificar o presente em nome do futuro e decidir viver o momento presente.
***** CONCLUSAO *****
Aqui, no mundo real, nunca teremos uma segunda oportunidade para viver a vida na sua plenitude. Hoje e a tua oportunidade de despertar para o dom de viver… Antes que seja demasiado tarde. O tempo esvai-se realmente por entre os nossos dedos, como infimos graos de areia. Permite que este novo dia seja o momento decisivo da tua vida, o dia em que decides, de uma vez por todas, concentrar-te no que e verdadeiramente importante para ti. Decide passar mais tempo com as pessoas que enchem a tua vida de significado. Venera os momentos especias, delicia-te com o seu poder. Faz as coisas que sempre quiseste fazer. Vive a vida que queres viver. Abre o teu negocio que tanto desejas. Cria a tal tua empresa dos teus sonhos. Acende a chama da infancia. Para de adiar a tua felicidade em nome da conquista. Pelo contrario porque nao desfrutas do processo? Reaviva o teu espirito e comeca a tratar da tua alma.
Vive o dia de hoje como se fosse o ultimo dia da tua vida... "Um Dia Deste, Acertas"
Livro: O monge que vendeu o seu Ferrari. De: Robin S. Sharma