
A luz solar toma de assalto as trevas terrenas, preparando a superfície para a chegada do grande astro rei Sol, acto que se denomina por amanhecer. E com a sua chegada, o burburinho fomenta-se. Um autêntico formigueiro em deslocação, em direcção aos mais diversificados espaços, onde se comunga uma ocupação profissional, contributiva para todo o restante formigueiro. Essa ocupação profissional, é retribuída por módicas quantias, na sua maioria, de objectos, idealizados pelo o todo populacional, como portadores de poder. Esses objectos são denominados comummente por dinheiro, e com ele estas denominadas formigas, por dever fisiológico adquirem bens essenciais à sua sobrevivência, ou simplesmente como por alogia, utilizam-no na obtenção de outros materiais conotados como elementos de pura extravagância social. Estas formigas de atitude estroina, são na sua avultada porção, todos aqueles seres humanos citadinos, que ao raiar do dia deslocam-se em desenfreada correria aos seus empregos. Entupindo de tráfego os passeios, mas principalmente as estradas por meios mecânicos de transporte, pois o acto de esforço é algo de abnego ao humanóide moderno. Enlatados no cubículo metálico automóvel, ou noutra instância, engavetados em espaços maioritariamente quadrangulares, constituindo a sua sobreposição por outros de igual forma, um edifício denominado por prédio. A população moderna é medicada pela influência dos meios comunicativos, como a televisão, a rádio, os jornais… vive no culto obcecante da sua ascensão na pirâmide socio-económica, sem contudo estarem atentos às cascas de banana, atiradas por aqueles que instalados no topo da mesma, comem ao seu belo prazer o que lhes convém. No topo da mesma pirâmide os raios luminosos do controlo e influência são amplamente captados por quem ali está instalado. Levando a que estes indivíduos sejam aqueles que dominam as atitudes e motivações de grande parte da população.
Como ser social, o homem, afim de chegar a consenso, necessita que a decisão seja tomada por um cérebro principal… o qual por sua vez é influenciado pelas premissas que lhe são apresentadas. Este poder de decisão leva a que por vezes sejamos vulneráveis às suas decisões, acabando o cidadão por envergar as armas, fazendo-se soldado, e a enfrentar o dito inimigo, o qual não passa de outra mente apoderada pelos homens do topo da pirâmide. Ao soldado é lhe exigida em combate, a sua bravura, lealdade, e até mesmo a própria vida, se for necessário. Sacrifício exigido em nome da ostentação de uma bandeira, em nome de uma pátria. A qual é feita de sangue inocente, sob a alçada dos senhores do poder. De natureza débil somos feitos, ao deixarmos ser influenciados pelas birras que os diversos líderes têm entre si.
E o dia vai passando, e com ele a população de um estado de imensa irradiação luminosa, a um estado de embriaguez mental, pela ignorância de não adquirir capacidade de interrogar o seu meio envolvente. A população está embriagada do suposto mundo cor-de-rosa que absorve, apesar de o não vivenciar, acredita na sua existência… comprando para isso, revistas de leitura visual, nas quais os famosos tomam a pele de seres singulares, diferentes… aos quais a vida, pensando o leitor, foi mais contundente. Mas a verdade é que eles mostram para a fotografia a face que pensamos terem, e não aquela que realmente têm, pois a fama não afugenta a incisiva dor. A exterior imagem é tomada como a interior imagem, levando a que desta forma a solidão amorosa apoquente os demais, cujo seu aspecto físico não é o mais esteticamente galante. A beleza é efémera, subjugada a um punhado de anos. A elevada taxa de divórcios demonstra exactamente isso, pois aquando do começo conjugal… as bivalências ideológicas mentais, são saradas pela atracção física… mas quando a beleza exterior perece, o laço afectivo do casal desvanece. O amor só existe quando existe a adoração da alma e do corpo.
A tarde chegou e a azafama retoma a sua continuidade. O povo agora exausto, e consumido pelo esforço profissional, regressa ao seu nicho. No qual o individuo, tem finalmente tempo para despir o seu alter-ego e ter o seu real eu a descoberto. Recuperando da ressaca que o stress provoca, sendo que o seu gesto mais usual para isso, é ligar a televisão e assistir a determinados programas. Que são mais lixo nefasto para a sua mente consumada.
A realidade é algo de difícil definição, acreditamos que a estamos continuamente a viver, mas na verdade não passa mais do que um estereótipo mental inato. Nesta suposta realidade analiso o que observo, segundo a teoria Behaviorista, na qual um estímulo induz uma resposta.
A miséria e o desespero por não conseguirmos alcançar certos patamares afectivos, emocionais, de saúde, económicos, sociais … leva a que ainda num mundo científico como o actual, exista o culto religioso. Este surge como algo explicativo para o que é ainda inexplicado. A fé é algo que todos nós possuímos, acreditamos sempre em algo, até mesmo o Céptico e o Ateu. Mas é inadmissível que se inferiorize outras crenças e religiões, por estas não partilharem os mesmos ideais. Partilho vários ideais, isto faz com que possa abordar um dado acontecimento sob diferentes pontos de vista, e não por uma visão única. Uma religião baseia-se em acontecimentos históricos, contextualizados em manuscritos, elevando-os à categoria de dogmas. Negando o questionamento quanto à sua veracidade. É com perplexidade que se observa entidades religiosas, a acreditarem piamente em manuscritos registando a história de uma forma reflexiva de veracidade questionável, e a negarem o seu conhecimento científico.
Somos livres, a nossa alma não é posse nem de um governo, nem de uma religião, nem de outro alguém!
O endeusar do pedaço rectangular de papel ou da circunferência metálica, faz com o dinheiro seja o principal alvo de culto. O dinheiro não é visto no seu contexto, mas na sua essência. Ele povoa os sonhos, em tons de verde e em grandes quantidades… ou em pesadelos quando a sua quantia é mísera. Com ele fisicamente ou informaticamente (cartão de crédito), a chocalhar nos bolsos… os consumidores alienados pela publicidade absorvida, dirigem-se em autêntica peregrinação aos centos comerciais onde o preço baixo é padroeiro. E por fim aquele volume de papel colorido (dinheiro), conseguido através de imenso esforço e suor, é agora trocado pelos mais diversos adornos. Vivemos dias de capitalismo cego, somos negados a negar a influência do dinheiro. Por ele o mundo move-se lá fora.